Em busca da inovação nas empresas de TI

Conheça neste artigo o que é inovação, o que as empresas de TI precisam para alcança-la e como a gestão de inovação pode auxiliar nesta tarefa. Descubra ainda algumas das estratégias utilizadas por duas grandes empresas de TI para inovar

O Brasil é um país que vem ganhando destaque no cenário internacional graças ao fortalecimento da sua economia. Contudo, ainda existem muitos problemas que estão longe de serem resolvidos, entre eles a escassez de inovação. Este problema reflete a cultura de um país onde raramente existe Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) dentro das empresas.

Uma pesquisa da Forbes que classifica as 100 empresas mais inovadoras do mundo comprova essa carência quando mostra apenas uma empresa brasileira nesta lista, a Natura Cosméticos. A lista decepciona ainda mais por não ter nenhuma empresa de TI, foco deste artigo.

Mas por que raios isso acontece no Brasil?

Será que o país não tem o apoio governamental para inovar? Será que a cultura das empresas é a única responsável? Será que realizar P&D basta?

Estas não são perguntas simples de serem respondidas. Neste artigo buscaremos algumas respostas e soluções.

Talvez um bom início seja pela definição de inovação. Utilizaremos a proposta do Manual de Oslo, documento responsável por padronizar conceitos referentes a P&D. O Manual define inovação como sendo:

implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas

Aplicando esta definição nas empresas de TI temos que a inovação pode ocorrer principalmente nos produtos/serviços (softwares) e no processo de desenvolvimento. Neste ponto já encontramos uma facilidade, a “matéria prima” para o desenvolvimento de novos softwares. Não é necessário comprar equipamentos caros para inovar nessa área. Isso está longe de ser um fator que motive as empresas a inovar. Então…

O que as empresas de TI precisam para inovar?

Precisam querer. Quando digo querer, me refiro a um desejo da alta gerência que deve ser repassado e compreendido como meta para todos os demais níveis hierárquicos da empresa, ou seja, uma abordagem top-down de comprometimento. Quando a empresa não nasceu para inovar esta abordagem acarreta em mudanças de cultura e de nada adianta investir em inovação se a cultura da empresa não mudar.

Quando passa a existir um comprometimento com o desejo de inovação, a organização pode começar a se preocupar com diversos outros fatores envolvidos, como incentivos, cultura e gestão. Neste artigo abordaremos um destes fatores, a gestão de inovação, capaz de canalizar as ideias interessantes e evoluí-las com o objetivo de gerar valor diferenciado para os clientes.

Gestão de inovação

A gestão de inovação deve existir para que as ideias consigam ser desenvolvidas a fim de que se transformem em produtos inovadores. Para isso é necessário que exista uma meta clara em inovação por parte do gestor. Esta meta deve contar, de acordo com Trimble (guru da área), com o uso de previsões, planejamento e métricas:

Sabemos que grande parte do que prevemos estará errado – o resultado incerto é uma das características que define a inovação. Mas devemos fazer uma previsão e ajustá-la continuamente, do mesmo modo que fazemos com hipóteses científicas: temos um pressuposto, um ponto de partida. E é com base nisto que começamos a buscar o desenvolvimento, registrando cada etapa, para sistematizar o desenvolvimento e a aquisição do conhecimento

A Figura 1 mostra algumas necessidades e desafios para a gestão de inovação. O conjunto adaptado destas peças podem ajudar as organizações a alcançar este objetivo. Em seguida conheceremos um pouco mais sobre estes aspectos.

Figura 1 Aspectos envolvidos na Gestão de Inovação

A gestão de inovação deve contar inicialmente com um conjunto de processos e ferramentas apropriados, como exemplo de ferramentas temos os brainstorms com pessoas de perfis diferentes. Os processos e ferramentas dão margem para um artigo inteiro, logo serão analisados futuramente. Dessa forma, neste artigo abordaremos as duas outras peças chaves para a inovação, os ambientes propícios e os funcionários como motor gerador de ideias.

Ambientes propícios

De acordo com Maricilia & Silmara:

As empresas devem fornecer um ambiente propício à inovação e criatividade. Para que este ambiente realmente aconteça, o trabalhador deve estar capacitado, motivado e, acima de tudo, sentir parte dos processos da empresa. A empresa, por seu lado, deve mostrar que o trabalhador é fundamental na organização e que valoriza seu trabalho e potencial.

Escorregador do Googleplex

Talvez seja por isso que vemos hoje em dia empresas de TI que se parecem mais com um parque de diversão do que com empresas. Para motivar seus funcionários as empresas são capazes de fornecer diversos confortos, como, ambientes de trabalho personalizados, flexibilidade de horários, ausência de regras para roupas, salas de jogos, entre diversos outros.

Funcionários como motor gerador de ideias

Para inovar uma empresa não precisa de gênios criativos, basta que aproveitem as ideias dos seus funcionários. Eles possuem conhecimentos e experiências de vida singulares, que podem ser unidos com o desenvolvimento de software para geração de produtos inovadores. A maioria dos desenvolvedores de software têm ideias inovadoras que não são implementadas por falta de tempo. Isso pode mudar a partir do momento que a empresa investe no potencial criativo dos seus funcionários através, por exemplo, de bonificações pelas boas ideais.

Maricilia e Silmara ainda destacam que:

as pessoas precisam ser ouvidas, reconhecidas pelos seus pares e se sentirem realizadas, tanto no aspecto econômico como no pessoal

Para entendermos na prática como algumas das peças da gestão de inovação são desenvolvidas nas grandes empresas de TI reconhecidas pela inovação, vamos conhecer algumas das estratégias da Google e da Facebook.

Ambiente de trabalho no Googleplex

Processo de Inovação na Google

Quando ouvimos falar em inovação na Google a primeira informação disponível (também a mais comentada) é o fato dos engenheiros poderem dedicar 20% do tempo em suas ideias, sendo que eles têm liberdade para escolher entre temas que os interessam ou que julgam ser valiosos para a empresa.

A verdade é que esta não é a característica inovadora mais importante da Google e sim apenas uma das chaves. Ainda como parte da gestão está o estímulo para que todos (executivos, gerentes, empregados e usuários) tenham ideias e as compartilhem através do fórum interno da empresa. Com relação ao ambiente a empresa também cumpre seu papel oferecendo aos seus funcionários desde salas de jogos a restaurantes exóticos. Os funcionários da empresa, apoiados pela gestão, passam a ter tudo que precisam para criar e inovar, recebendo as devidas recompensas quando suas propostas são escolhidas para serem evoluídas.

Processo de Inovação na Facebook

 

Uma das edições do Hackathon

A estratégia mais conhecida da Facebook para inovar chama-se Hackathon. Trata-se de um desafio jogo onde os funcionários podem se agrupar para transformar em curto espaço de tempo QUALQUER ideia em algo real. O evento ocorre à noite em um ambiente totalmente descontraído e estimulante onde se misturam ideias de engenheiros com pessoas de marketing, designers entre os demais funcionários da empresa. Os resultados gerados não viram produtos instantaneamente mais permitem o inicio de discussões e feedbacks para que os protótipos evoluam. Várias das ideias que surgiram em edições do Hackathon resultaram em produtos como mensageiro de vídeo e sugestão de amigos.

Esta estratégia é um dos destaques da gestão de inovação da Facebook. Entre as principais vantagens da sua utilização estão:

· Criar um meio propício para a discussão de ideias;

· Minimizar a discussão das ideias vagas, permitindo a criação de protótipos que levam a discussões ricas;

· Forçar as pessoas a serem criativas, sendo que o prazo apertado é um catalizador para a criatividade.

Conclusão

As empresas de TI devem ter a qualidade como algo certo e a inovação como meta para que possam gerar valor diferenciado para os clientes e para colocar o Brasil no mapa dos países inovadores. A gestão de inovação com ambiente propício e funcionários como motor gerador de ideias pode e deve ser adaptada a realidade das empresas brasileiras para apoiar na geração de softwares e processos criativos.

Neste artigo conhecemos alguns caminhos para que as empresas de TI comecem a pensar em inovação como um diferencial no mercado. Existem muitas outras questões para serem analisadas como incentivos governamentais e o papel da Universidade. Estas questões ficarão para os próximos artigos… até lá :)!

Na empresa onde você trabalha existe inovação? Não deixe de comentar como ela acontece por aí!

Outras Leituras Recomendadas

Jonathan Mumm descreve a importância e os ganhos de um hackathon neste artigo http://blog.mumm.me/?p=174

Vale a pena ler como foi uma das edições do Hackathon na Facebook descrito por Aditya Agarwal http://ja-jp.facebook.com/blog.php?post=2234227130

Creating Environments That Optimize Creativity and Inspiration http://designshack.co.uk/articles/business-articles/creating-environments-that-optimize-creativity-and-inspiration/

Referências

Gestão do Processo de Inovação (Wendell Carvalho). Link: http://www.slideshare.net/wendellcarvalho/palestra-gesto-do-processo-de-inovao-nas-empresas-comagep-wendell-carvalho

Inovação “o caminho para o sucesso contínuo” Grupo RM. Link: http://www.slideshare.net/augustocvp/inovao-criatividade

A inovação além da ideia. Especial Inovação com Chris Trimble por Paulo Ferreira. Link: http://www.mundodomarketing.com.br/3,19676,a-inovacao-alem-da-ideia.-especial-inovacao-com-chris-trimble.htm

9 Princípios de Inovação do Google. Link: http://criatividadeaplicada.com/2008/03/17/os-9-principios-de-inovacao-do-google/

Inovação Coletiva para empreendedores. Link: http://exame.abril.com.br/revista-exame-pme/edicoes/0030/noticias/inovacao-coletiva

10 empresas que investem em inovação coletiva. Link: http://exame.abril.com.br/negocios/inovacao/noticias/10-empresas-que-investem-em-inovacao-coletiva?p=10#link

Da motivação para inovação. Link: http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/revista_da_fae/fae_v5_n3/o_processo_de_motivacao.pdf

Innovate The Google Way. Link: http://www.innovationfactory.eu/2009/02/09/innovate-the-google-way/

Why innovation is messy. Link: http://www.valuedance.com/blog/article/-why-innovation-is-messy

Manual do Oslo. Link: http://www.finep.gov.br/imprensa/sala_imprensa/manual_de_oslo.pdf

4 comments for “Em busca da inovação nas empresas de TI

  1. 4 de Agosto de 2011 at 21:34

    Muito bom post José Alexandre. A inovação é fundamental para colocarmos nossas empresas no topo da “cadeia alimentar”…
    Parabéns pelo texto!

    • 5 de Agosto de 2011 at 9:45

      Obrigado Humberto!
      Estou querendo escrever mais sobre isso pra entender melhor o assunto, duro é arrumar tempo com o mestrado!

      Abração,

      José Alexandre

  2. Spidey
    5 de Agosto de 2011 at 20:44

    Muito bom o artigo, e rico em referências pra quem quer se aprofundar no assunto. Gostei demais desse modelo de post.
    Você comentou sobre a necessidade de uma abordagem top-down na inserção da inovação na cultura na empresa. Eu vou além e digo: é preciso que essa necessidade seja reconhecida pelo governo estadual e federal. É voltar na mesma tecla de sempre, mas é preciso investir pesado em educação de base, e fomentar a inovação também nas empresas estatais.
    Aliás, tocando no assunto de política, lembrei de outro ponto. Temos que atualizar as agências reguladoras e todo o comércio do Brasil: aqui atende-se mal ao cliente, ao consumidor, e isso é tolerado.

    • 6 de Agosto de 2011 at 15:48

      E aí Cláudio,

      Ótimas considerações!
      Com relação ao reconhecimento da necessidade pelos governos federal e estadual o que eu tenho visto é que eles estão cientes do problema e de algumas formas já estão tentando melhorar, como por exemplo através de algumas leis e programas (quero escrever sobre isso ainda). É um começo, mais não resolve todos os problemas… o ponto que você tocou da educação de base acho muito importante também, mas talvez para inovar mais importante ainda seja diminuir as distancias entre Universidades e Empresas e não estou falando das faculdades ensinarem tecnologias utilizadas no mercado e sim das pesquisas, da “busca pelo novo”, do experimental ocorrerem dentro das empresas…
      Não tinha pensado no lado das empresas estatais, com certeza nessas o governo tem obrigação de investir em inovação…

      Valew pela visita 🙂
      Abraços.

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